sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Você já ouviu falar que "A indústria automobilística é o carro chefe da Economia"?



                                 MANIFESTO PELA MOBILIDADE URBANA: PARTE DOIS



   Há décadas governos têm dado prioridade a facilitações às montadoras (como a Isenção de impostos, como o IPI), em detrimento de políticas públicas que priorizem investir e conscientizar a população sobre a importância do transporte coletivo e de que há outras possibilidades também eficientes além do carro.


   É principalmente em troca de um suposto crescimento na Economia que as nossas vozes têm sido simplesmente substituídas por indicadores econômicos sem que seja considerado de fato que crescimento não seja necessariamente sinônimo de desenvolvimento. 


   -Mas será mesmo que a indústria automobilística é o nosso "carro chefe da Economia?" - E, caso realmente seja, não será importante nos questionarmos se o que ela tem trazido em uma mão como benefício não nos tem retirado em dobro com a outra, em função de uma política pública de transportes QUE ESTÁ SOMENTE VOLTADA PARA A EXPANSÃO DO CONSUMO??!! - Será que realmente vale a pena tanta redução de impostos a um setor que, além de saturar as nossas cidades desordenadamente, frequentemente coloca sob risco o emprego de milhares de trabalhadores "caso o governo não libere mais isenções fiscais em função de uma eventual linha de automóvel não ter vendido tantos milhares de carros como era o esperado?".


  Precisamos de uma MUDANÇA ESTRUTURAL. Ou refletimos sobre as mazelas da mobilidade urbana desde as suas raízes (é difícil, mas não impossível!), ou nos acomodamos e aceitamos que a nossa qualidade de vida continue sendo considerada apenas em segundo plano!


   Mudar é preciso: para isso,  importante é que NUNCA nos esqueçamos de que o fato de a indústria automobilística ser considerada o nosso "Carro chefe da Economia" não pode ser argumento por si só suficiente para continuarmos incentivando o consumo de automóveis particulares, em detrimento da nossa saúde. O carro chefe do Brasil, NÃO SE ESQUEÇA(!), já foi a cana, o boi, o café, o ouro... NÃO É PORQUE HOJE SUPOSTAMENTE É O CARRO, QUE NÃO PODEMOS MUDAR ESTA HISTÓRIA!


   #SAÚDEem1ºLUGAR!

   #VouDeÔnibus / #+Metrô / #+Bike+Saúde / #-Carro-Estresse /  #+Carona-Tempoperdido / #Qualidade De Vida é Prioridade / #+Transporte Coletivo-Engarrafamento.



Cena infelizmente frequente na região Metropolitana. "imobilidade urbana". 
Belvedere, BH.  





quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Democracia urbana e uma cidade para pessoas: só depende de você.



MANIFESTO PELA MOBILIDADE URBANA: PARTE UM.

Imagem: http://agenciapulsar.org/



   É fato de que não devemos simplesmente pegar experiências que deram certo à mobilidade urbana de outros países e acreditarmos que, sem devida adequação e contextualização aos nossos costumes, darão certo também à nossa realidade!

   No entanto, simplesmente fecharmos os olhos para o que há de positivo em qualquer outro lugar do mundo e acreditarmos que porque "aqui não é a Suíça ou a Inglaterra", que não temos a capacidade de construirmos uma mobilidade urbana ainda melhor e diferente da calamidade a qual hoje estamos sendo sufocados.

  Naturalmente muitos de nós temos bastante resistência a mudanças: isso é fato! No entanto, quando em excesso, a resistência à mudança pode também nos causar um medo que só tende a aumentar a nossa omissão e conivência com o aquilo que não concordamos (Ou você está satisfeito e acha que é normal perder tantas horas da sua vida ficando parado num engarrafamento?!).

  Pessoal, é possível que haja um consenso entre os leitores deste manifesto, e sejam todos - ou a grande maioria - moradores de uma cidade com o desejo de melhorá-la. As divergências começam quando tentamos estabelecer como será essa melhoria. Transporte público de qualidade, àreas verdes, calçadas e ciclovias estão entre as demandas mais comuns, mas o fato é que estabelecer parâmetros e critérios do que seja uma cidade para pessoas não é uma ciência fácil.¹

   Por isso, CIDADÃO, se até agora você não colocou, incentivo que coloque a partir de agora a sua qualidade de vida e de sua família em primeiro lugar. Acredite: a mudança só depende de você. 2014 foi mais um ano de eleições, que acabaram, sim, mas a participação do povo, inclusive a sua, ainda continua. Não se esqueça de cobrar reformas dos candidatos que você contribuiu para eleger, pois se não é perigoso que eles também se esqueçam de você.

    Você se lembra das propostas dos seus candidatos? Algum priorizou a mobilidade urbana?

   Pois bem, agora, em 2015, além de cidadão, mais do que nunca você pode se tornar um fiscalizador, cobrando que os seus representantes de fato trabalhem e priorizem o que é importante para você e para a sociedade. É preciso pensarmos também no outro, pensarmos que "ele também existe" (por incrível que pareça, muitos de nós "esquecemos" às vezes), para de fato trabalharmos buscando respostas para a melhoria da nossa qualidade vida de maneira condizente com aquilo que fazemos parte, ou seja, de uma sociedade, não apenas a partir dos nossos interesses individuais.

  Um povo urge por mudanças, #+respeito, # +saúde e  #+qualidade de vida. Se você  também faz parte dessa gente,  comece agora a mudança por você mesmo.


 #dêcarona #vádebike #vádeônibus #lutepelotransportepúblico #lutepelometrô #+saúde #Proteste #Levantaaí #Nãoficaaíparado
  



Imagem: http://ambientalistasemrede.org/

[1] Parágrafo retirado de um dos textos do Projeto "Cidades Para Pessoas".

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Surto de especialização




Tempestade Cerebral de dezembro


   “Segundo o especialista...”, “Faça isso, pois é palavra de especialista!”, “De acordo com...”.

   "Com quem você acha que está falando? Eu sou é Doutor!"

   Já não bastasse a quantidade de "especialistas" que supostamente emitem opiniões mais dignas que um cidadão considerado comum, agora querem nos fazer engolir especialistas até em propaganda de Lasanha e de Salsicha.

  Não só ao final de inúmeras reportagens os tais especialistas são normalmente chamados de "doutores" e procurados por jornalistas para supostamente “darem valor” a tudo aquilo que eles dizem durante uma reportagem (nos consultórios médicos, ou nos escritórios de advocacia, por exemplo), mas agora também se PROLIFERAM "com nomes bacanas, difíceis" nos comerciais de TV, e no mínimo uma pitada de petulância ao tentarem me fazer acreditar que eu estou precisando de especialista  até para escolher a salsicha do meu cachorro-quente, ou a minha lasanha.

    Ah... Fala sério!

  Às vezes me pergunto: “Quem são os especialistas? Quais os critérios utilizados para se tornar um especialista? Quem são os especialistas que criam os critérios para que alguém se torne um especialista? Quanto eu devo duvidar menos do que um "especialista” me diz do que de um outro cidadão que é considerado comum só porque não se enquadra em determinados critérios?”

  Uma coisa eu lhe digo, minha amiga, meu amigo: cuidado com a Supremacia dos Especialistas e a patrulha da racionalidade. Pelo menos eu já estou de olho, claro! Vai que além de me darem "dicas" (serão mesmo só dicas?) sobre qual salsicha de cachorro-quente ou lasanha "eu devo comer",  eles também decidam, algum dia, que eu sou tão burrinho, mas tão burrinho, que eu não só não sei escolher lasanha ou salsicha para cachorro-quente, mas que também não tenho a capacidade para fazer quaisquer outras escolhas, como votar, por exemplo????


   A questão não é que não podemos acreditar no que nos dizem pessoas que, sob determinados critérios, sejam consideradas especialistas, ou que não podemos acreditar que pelo menos algumas delas realmente possuam um conhecimento maior do que a média em relação a determinado assunto.

     No entanto, necessário é não perdermos a nossa capacidade de refletir, de criticar e de duvidar daquilo que nos é apresentado, seja por um especialista ou por qualquer outro cidadão considerado comum(!). Importante também é que não nos esqueçamos que diplomas ou quaisquer outros títulos de reconhecimento nem sempre são acompanhados pelo "saber", e que há muitas pessoas, no mundo, "aqui fora", que, embora não sejam reconhecidas pela sociedade como "doutoras", também detêm uma enorme riqueza cultural e de conhecimento, que também deve ser no mínimo digna de ser considerada.

   É por isso que diante dos supostos especialistas que se proliferam, assim como de quaisquer outros cidadãos "apenas" considerados "comuns", posso até acreditar no que cada um deles me diz, sem problemas..., mas primeiro prefiro a DÚVIDA para todos eles sem nenhuma distinção de patente, de terno ou de jaleco. Não abro mão da minha capacidade de refletir e de criticar seja diante de quem for.




PS1: Esse recado mando especialmente aos (felizmente não todos!) médicos, dentistas, advogados e professores da faculdade de Direito que por serem nobremente tratados como "senhores doutores" e considerados especialistas acreditam que por si só isso é motivo para serem os únicos sujeitos capazes de conferir uma interpretação adequada sobre determinado assunto.

Esse recado vai especialmente a aquela parte de profissionais, "especialistas", que se esquece de que o povo ou os seus alunos, embora não sejam reconhecidos como"doutores", também têm a capacidade de duvidar, interpretar, opinar, criticar e discordar daquilo que lhes é apresentado.


PS2: duvido que o carinha do comercial da Seara provou o sensacional cachorro-quente que a minha mãe faz, ou aquele na praça da Igreja Matriz, aqui, em Nova Lima. "... Ele não sabe o que está perdendo..."...







AINDA PULSA!

Veraneiovascaina.blogspot.com

sexta-feira, 21 de março de 2014

A permanência dos motivos de Estado de Exceção na Sociedade Contemporânea (Tema dado em sala de aula)




Tempestade Cerebral do mês de março



   Na sociedade Contemporânea, há, sem dúvidas, a permanência de um Estado de Exceção latente e bastante criterioso quanto aos seus súditos.


   Diferentemente do que se possa imaginar, principalmente sob a ótica paradigmática de um Estado democrático e de Direito, o Estado de Exceção na sociedade Contemporânea não vige e impera só temporariamente e mediante o respeito a preceitos legais pressupostos pelo Constitucionalismo Moderno, mas sim durante todos os dias, no nosso cotidiano, mediante a institucionalização de políticas públicas inadequadas no trato a garantias de direitos individuais e coletivos fundamentais.


    Em sociedades como a brasileira, por exemplo, vários são os casos em que esse Estado de Exceção latente pode ser observado quanto ao seu conteúdo, bem como aos seus destinatários.


    Principalmente se tratando de grupos populares, direitos subjetivos públicos e individuais fundamentais, quando confrontados por supostos “interesses públicos”, com frequência têm suas garantias suspensas, mesmo quando protegidas pela rigidez da Constituição.


    Quando direitos fundamentais e aos serviços públicos de grupos populares, principalmente, são confrontados a interesses econômicos, é quando podemos ver quais são as garantias fundamentais que realmente são preponderantes numa sociedade Contemporânea na prática.


     No Brasil, por exemplo, megaeventos como a Copa do Mundo ilustram bem essa perspectiva de um latente Estado de Exceção.  Arraigado numa tradição excludente e preconceituosa, o Estado de Exceção brasileiro, sem nenhum respeito às pessoas envolvidas, facilmente se torna partícipe ou autor da destruição de casas, de escolas e da cultura do povo subjugando seus cidadãos aos interesses de uma elite abastada e detentora do poder de ditar o que faça parte do “interesse público”.


    Além de causados por megaeventos, no Brasil, fenômenos populares internos e seus adeptos são constantemente cunhados como vândalos, tendo suspensas suas garantias individuais e coletivas mesmo que à revelia da lei. Fenômenos como “os rolezinhos”, por exemplo, onde inúmeros jovens, com diferentes interesses (mas todos ligados pela sua condição social nada abastada) diariamente têm suspensos o seu direito de ir e vir, vendo espaços públicos apropriados pela raiz patrimonialista principalmente sobre os espaços urbanos brasileiros.


  Comerciantes, na defesa aos seus interesses, e consumidores, que não se dão o mínimo esforço no respeito às diferenças, utilizando-se, com frequência, do aparato estatal indevidamente para a distribuição de liminares e sentenças visando proibir a livre circulação dos considerados "diferentes".


    O Estado de Exceção na sociedade Contemporânea é uma realidade de modo que não mais é possível sua negação meramente respaldada na existência de princípios e normas que se afiguram no papel como democráticas, mas que, na prática, confrontam todos os parâmetros e objetivos de uma Constituição de um Estado que tem como primazia uma finalidade ética não só de respeito à dignidade da pessoa humana , mas também a sua garantia, que deve ser buscada e respeitada mediante o império da lei.


   É preciso mudarmos esta realidade.




sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Otimismo


       Há algum tempo admiti a alguns amigos a minha “certa dificuldade” em demonstrar as minhas expectativas explicitamente. 

         Em épocas de aniversário de parentes ou amigos próximos, das festas de fim de ano, natal ou réveillon, principalmente é quando me vejo um tanto quanto mais embaraçado que a maioria das pessoas na tentativa de desejar simples, mas singelos, votos de “feliz aniversário” ou “um próspero ano novo”, por exemplo.

         Mas, neste ano de 2014, “farei um esforço” para conseguir abrir uma exceção e falar abertamente sobre minhas expectativas e desejos para o nosso país.

         Para isso, acredito não haver lugar mais oportuno que não numa das páginas deste Veraneio, o qual me dá liberdade, de braços abertos, desde o 1º ano do Ensino Médio, para expressar o que penso, e, a partir de agora, também expressar meu otimismo e mais sinceros votos à sociedade brasileira, que terá neste ano muitos ingredientes disponíveis para mais um ano inesquecível na história do nosso país.


1.1) 2014 - Mais um ano para consolidação política



Congresso Nacional,: manifestações de junho.

                                           
       No ano seguinte ao aniversário de 25 anos da nossa democracia, grandes expectativas guardo com relação ao ainda rejuvenescimento do nosso espírito político após sairmos às ruas para lutarmos pelos nossos direitos em 2013.
               
          Como já abordado por muitos e também por mim neste mesmo Veraneio, no artigo “Algo nos une”, 2014 terá todos os ingredientes para continuar rendendo bons frutos das grandes manifestações que se insurgiram em nosso país em meados do ano passado.

          Entretanto, diferentemente do que ainda possa parecer para muitos, 2014 não será um ano que poderá dar seguimento ou fim à força das manifestações que parte da população sustentou, durante muito tempo, que o “gigante brasileiro acordara”, após as últimas décadas de luta no século passado.
                
         Isso, pois, como já dito, 2013 não representou meramente um ano em que o povo voltou às ruas após um longo hiato de manifestações que culminaram na queda do regime de Exceção mantido durante duas décadas em nosso país no século passado. Mas sim um momento em que muitos grupos sociais minoritários, que sempre tiveram suas atuações tendenciosamente obscurecidas pela grande mídia, ecoaram a sua voz ao lado da voz de toda uma população que já estava farta diante dos escândalos políticos, dos serviços públicos pessimamente prestados e das duras repressões policiais a manifestantes que serviram como estopim para as manifestações.

        No ano posterior em que pessoas dos mais variados interesses colimaram muitos deles e puderem, juntos, dar uma força revigorada aos movimentos brasileiros já atuantes, não só 2014, mas também as próximas décadas têm de tudo para que o Brasil atinja mais rapidamente um maior grau em sua maturidade política, possibilitando à população, gradativamente, se tornar cada vez mais sujeito de seu próprio futuro.



1.2) 2014 - Copa do Mundo e Eleições




Site da Imagem:/turmadochapeu.com.br/


            Estamos em contagem regressiva para realizar um dos maiores eventos esportivos do mundo e muito próximos a eleições que, sem dúvida, movimentarão o país de Norte a Sul.

         Ainda fruto do rejuvenescimento político do nosso país, que não por acaso acredito ter se reiniciado em meio a outro grande evento esportivo, as eleições deste ano terão grandes aperitivos para atrair ainda mais o interesse do eleitor que está sedento por maior participação nas decisões políticas.

          Sendo quase impossível não demonstrar o meu contentamento pela força do povo, até então considerado pejorativamente como “a pátria de chuteiras”, em cobrar as até então prometidas grandes obras de infraestrutura, não só mudanças paliativas para “inglês ver”, são grandes as minhas expectativas depositadas na população, que, acredito, não fechará os seus olhos para questionar o custo-benefício deste megaevento, principalmente durante as eleições, mediante tantos gastos públicos envolvidos principalmente na construção de estádios de futebol.

      Já nos bastidores, há muito começaram as eleições de 2014. Principalmente a presidencial, são grandes as minhas expectativas ao acompanhar candidatos que têm de tudo para instigar o eleitor a refletir um pouco mais.
           
      Ao que tudo indica, de um lado, o PT, de Lula e Dilma. Do outro, candidatos que, trabalhando em conjunto no primeiro turno, podem acreditar que um deles poderá fazer frente ao bem avaliado governo Dilma Rousseff no segundo turno.
                
       No entanto, restará ao PSDB e PSB, de Aécio Neves e Eduardo Campos, a difícil tarefa de angariarem também no cenário nacional o mesmo reconhecimento que seus candidatos possuem regionalmente. Uma acirrada disputada que tem de tudo para fazer do eleitor o seu maior beneficiado.
               
    Numa eleição com candidatos capacitados, além de outros que possivelmente entrarão na disputa e correrão por fora, interesses e visões distintas, acredito, têm de tudo para contribuírem para o alargamento do processo democrático durante as eleições por meio do debate, e, como importante condição para se eleger, consequente busca pelo candidato por maior proximidade junto ao eleitor.
                
       Num país de vontade política revigorada, em 2014 não só a articulação política, mas também o trabalho e o respeito serão requisitos essenciais para o candidato que realmente queira conquistar a confiança do eleitor.



1.3) 2014 - Brasil, 50 anos do Golpe. Um episódio para jamais ser esquecido.



Manifestantes contrários ao regime de Exceção.

                
       Dentre inúmeros outros temas também importantes, não posso esquecer-me de ressaltar a força e a necessidade que o resgate à nossa história terão neste 2014 para que aprendamos com os nossos erros cometidos no passado na busca pela consolidação do nosso atual Estado democrático de Direito.
                
           Dessa forma, não poderia ser diferente minha expectativa com relação a um tema que, ao contrário do que muitos pensam, deve ser reavivado todos os dias, principalmente aproveitando-se a força de seu simbolismo após 50 anos, quando, então, fora instaurado um Estado de Exceção em nosso país.
                
         A fim de cada vez mais aperfeiçoar a nossa democracia, neste 2014, o Brasil terá mais uma ótima oportunidade de buscar desempenhar alguns dos mais importantes pilares duma democracia ainda em processo de Transição, amplamente buscados por meio do reavivamento da nossa história em meio aos 50 anos da instauração da Ditadura militar, pela busca constante busca pela verdade da nossa história.
                
          Não só uma reparação material 2014 tem a chance de restituir. Mas, por meio de ações exemplarmente promovidas pelas quase trinta comissões da Verdade espalhadas por todo o Brasil, por maior interesse pelo tema nas escolas e maior disseminação de informações nos meios de comunicação sobre o tema teremos mais uma ótima oportunidade para não decretarmos o  esquecimento de tal episódio.


1.4) 2014!

                
      Além desses temas abordados, há inúmeros outros que guardo bastantes expectativas. No entanto, diante de tamanha importância e necessidade de maior reflexão, pretendo abordá-los em artigos separados no decorrer deste ano.
                
             Outros temas importantes também terão grande repercussão e possivelmente um desfecho neste ano de 2014. Alguns deles: Julgamento pelo STF sobre o deferimento, ou não, da ação direta de Inconstitucionalidade movida pela OAB com relação à constitucionalidade, ou não, da doação direta de pessoas jurídicas às campanhas (o que pode mudar o cenário político brasileiro); Ação direta de Inconstitucionalidade, movida pela associação de escritores e editores a artigos do Código Civil com relação à necessidade de aceite, ou não, por parte dos biografados às biografias, (a mim, questão nada trivial e que merece, sim, ser amplamente debatida); Expedição dos demais mandados de prisão ao condenados pela ação Penal 470, o “Mensalão” (sua repercussão no mundo político e civil); Pressão para julgamento do “Mensalão Mineiro” (escândalo envolvendo políticos de Minas Gerais acusados de compra de votos); Copa do Mundo e as suas mais diversas implicações (a continuidade da fiscalização por parte do povo frente aos gastos bilionários do governo para realizar o evento, seus legados, seus detrimentos e a possível constatação, ou não, de um Estado de Exceção durante a preparação ou realização do megaevento); além de vários outros temas não menos importantes, etc.


           Que neste ano, muito além do verde e amarelo, o Brasil possa se pintar mais uma vez de vontade e de esperança por meio da busca por uma vida mais humana ao seu povo.


Que venha 2014!





sábado, 9 de novembro de 2013

O que pode explicar a estratificação de gênero no Brasil?

Mulher aconselha que “Se o seu marido alguma vez descobre "que ela anda preparando outro café fresco” pode apanhar www.guerrilhanerd.com



              Para inúmeros problemas do nosso país, neste ano de 2013, minha opinião é de que muitos deles são causados pelo conservadorismo de muitos dos nossos costumes. Sinceramente não sei se “conservadorismo dos nossos costumes” possa parecer um tanto quanto redundante (se no próprio costume fica inerente seu conservadorismo), mas não abriria mão deste determinante ao ainda presenciar mazelas como a estratificação de gênero num país tão miscigenado como o Brasil.

             No entanto, se é que existe algum culpado, infelizmente ainda não tenho certeza. Ou melhor, se há pelo menos uma culpa por dolo. De fato, numa sociedade fundada sobre preconceitos, as mulheres constituem um dos grupos sociais mais marginalizados deste país. No entanto, por mais incrível que possa parecer (pelo menos a priori), não consigo imaginar que fruto de uma decisão individual consciente algum homem ainda possa acreditar numa possível situação superior sua em relação às mulheres.

               Acredito que muitos dos valores dos quais o nosso país ainda preza como primordiais não só o subjuga ao comando de uma elite hegemônica, capaz de controlar grandes mídias tradicionais para seus objetivos econômicos, mas também o mantem arraigado sob uma série de preconceitos conservadores, que em nada contribuem para a construção de uma sociedade igualitária, com respeito às diferenças.

              O vídeo que assisti durante uma aula de S. Jurídica¹, especificamente, sintetiza a visão de subjugação que ainda existe entre gêneros também em países considerados “desenvolvidos”, como o Canadá, idêntica ao Brasil. Não só presente mas também cultivada pelo mercado publicitário, visão arcaica que quase sempre é assimilada sem devida reflexão pela maioria de nós. Retomando a questão de possível culpado dessa visão (pelo menos considerando-a como fruto de uma vontade consciente de subjugação das mulheres), por meio de dados, vemos também os próprios homens como vítimas de seus preconceitos, arraigados numa sociedade que não respeita a si mesma, muito menos o considerado diferente.

                Também numa aula de S. Jurídica, li uma reportagem relatando o estupro de uma jovem israelense² a qual acredito sustentar minha opinião. Assim como um juiz aposentado, candidato preferido do primeiro-ministro de seu país a presidir o Tribunal interno de um partido consegue imaginar alguma possível satisfação da mulher durante o estupro, não vejo outra justificativa a não ser o peso que falácias e costumes ainda podem desempenhar sobre qualquer um de nós, independente de classe social ou escolaridade.

             “Juntos e misturados”. No Brasil, difícil é nos considerarmos negros ou brancos, afinal nossas raízes estão muito além das nossas características físicas. No entanto, numa sociedade ainda bastante conservadora e preconceituosa, não seria hipócrita a ponto de não dizer que a cor da pele e o seu gênero “dizem muito sobre quem você é”. 

                 Neste momento, não me lembro ao certo ter sofrido alguma discriminação do tipo (talvez tão somente por ser homem e ser considerado branco). No entanto, ao falar sobre o assunto, me lembro de presenciar um homem no início deste ano, olhando para uma manifestante descamisada, durante a Marcha das Vadias, dizer algo do tipo: “Tá vendo? Depois elas querem que a gente respeite”.

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Other side? Que tal um outro lado? http://lorpheus.com/

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¹ http://www.youtube.com/watch?v=HaB2b1w52yE, vídeo com as representações das mulheres e dos homens pelos comerciais de TV no Canadá.

²Leia a reportagem na íntegra:

 Reprodução/haaretz.com
"Algumas meninas gostam de ser estupradas", diz juiz durante julgamento em Israel              
Depois de polêmica, juiz perdeu apoio do premiê Netanyahu

Ao afirmar que "algumas meninas gostam de ser estupradas", durante a audiência de um caso de estupro de uma menor, hoje com 19 anos, um juiz causou polêmica entre a população de Israel. A declaração foi feita pelo aposentado Nissim Yeshaya, que  continua atuando em alguns casos de apelação institucionais 
no Distrito de Tel Aviv.

Segundo a imprensa nacional, o magistrado surpreendeu os participantes da audiência da Comissão de Apelação da Previdência Social, realizada nesta terça-feira (5), com o comentário, gerando protestos revoltados e condenações de todo o espectro político local. Na ocasião, a vítima não estava presente.

Após o comentário, foi pedido a interdição imediata de Yeshaya, aposentado há quatro anos e que atua como presidente de tribunais administrativos e de orientação. O pedido foi feito à ministra da Justiça, Tzipi Livni, pela presidente da comissão parlamentar para o Status da Mulher, Aliza Laví.

O crime

A jovem tinha 13 anos quando foi violentada por quatro palestinos. A advogada de defesa, Aloni Sadovnik, descreveu a declaração do juiz à rádio do exército israelense. "Ele nem sequer percebeu o que acabava de dizer. Não entendia por que todo mundo estava em silêncio ao mesmo tempo."

Após a polêmica, Yeshaya tentou se defender. "Estão tentando conseguir publicidade às minhas custas. Eu não acho que a vítima de um estupro não sofra danos com ele ou que o estupro não seja um crime grave. [Meus comentários] foram mal interpretados."

O juiz era o candidato preferido do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a presidir o Tribunal interno do partido Likud, mas hoje o governante retirou seu apoio porque "uma pessoa que se expressa assim não merece o cargo".

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Se as novelas fossem o único meio de informação no país, como seria?



Imagem: http://www.marciacosmeticos.com.br


           É grande a influência que as novelas desempenham sobre a vida e o comportamento do povo. Muito além de entretenimento e negócio comercial lucrativo, as novelas influenciam e modificam a visão de mundo que muitos de nós brasileiros  temos acerca da realidade.
                
             Com contribuição tanto positiva quanto negativa, as telenovelas se apresentam como o principal meio de difusão do gênero. Principalmente na TV aberta, as novelas se tornaram objetos de batalha entre grupos tradicionais de comunicação de massa devido ao grande número de lares por elas alcançadas.

               De fato as novelas são uma grande fonte de distribuição de informações. No entanto, hipoteticamente considerá-las de maneira unívoca conquanto única fonte de informação ao nosso país sem dúvida alguma traria enormes distorções.

             No Brasil, diariamente, poucos não são os casos de novelas que mantêm visões arcaicas acerca da sociedade e tentam disseminá-las como padrões que deveriam ser seguidos por todos aqueles que gostariam de se integrar a um grupo possivelmente considerado “melhor”.

           Ideologias diariamente são disseminadas das quais, devido ao ainda baixo nível de acesso da maioria da população à educação, não podem ser claramente identificadas e criticadas por todos. Pensamentos unilaterais muitas vezes retratados sem um contraponto, amplamente divulgados por novelas criadas e recriadas pelos mesmos autores e financiadas pelos mesmos grandes grupos comerciais.

           Principalmente na TV aberta, frequentemente nos deparamos com novelas que expõem personagens que se tornam ídolos por cometerem atividades ilícitas das quais acreditam serem o caminho mais fácil de “vencer” na vida. 

        Determinados grupos sociais constantemente são representados com papeis marginalizados e caracterizados negativamente até mesmo pelo seu sotaque (caso frequente com os nordestinos que se encontram na região Sudeste). Conteúdos indevidos são indiscriminadamente disponibilizados a todos sem qualquer adequação eficiente à idade, além de vários outros inúmeros problemas que estão relacionados ao compromisso desse gênero exclusivamente com seus acordos publicitários.

            Fazer das novelas único meio de informação representaria um retrocesso à Democracia em desenvolvimento no nosso país. Na luta por um Brasil mais justo e menos conservador no trato aos seus cidadãos, a novela como única fonte de informação não seria capaz de representar em seus personagens todas as características e problemas que devem ser combatidos num país tão miscigenado como o nosso.

            De fato as novelas não constituem por si só de todo ruim quanto aos seus assuntos abordados, principalmente quando retratam tabus cotidianamente. No entanto, como qualquer outro meio de comunicação, não há melhor remédio que não a heterogeneidade de informações para que possamos ter acesso a conteúdos que possibilitem um olhar diferente do que estamos acostumados a ver como “verdadeiro”.

            Principalmente pelo seu poder de influência e alcance num país como o nosso (onde a maioria da população não tem acesso digno à educação) considerá-la como única fonte de informação à sociedade, do contrário à promoção de cidadãos, promoveria tão somente uma legião de indivíduos alienados, os quais impossibilitados de reconhecer até mesmo a si próprios.






Imagem: http://revistavilanova.com