domingo, 13 de maio de 2012

É preciso mudar a cena política


http://feeliiz.blogspot.com.br/2011/07/o-jovem-e-politica.html


                Como escrito anteriormente no perfil deste blog, com exposição da autoria e transcrevendo de maneira imparcial as ideias de vários jornalistas brasileiros, posto um artigo escrito pelo jornalista Acílio Lara Resende do jornal O Tempo, Belo Horizonte, 28 de março de 2012. Assim como ele, creio que o jovem possa desempenhar um papel muito mais importante na sociedade em relação ao que muitos atualmente pouco têm contribuído para a construção da política nacional.

                Numa crítica à nossa política tal como ela é hoje e, também, à imprensa, o jornalista e ex-deputado Fernando Gabeira, no artigo “Política e naufrágio”, publicado no “Estado de S.Paulo” do último dia 16, disse que “a cena política demora mais a mudar se nos desinteressamos”. E completou: “É necessário ficar o mais próximo possível que o estômago possa tolerar. As coisas não mudam rapidamente sem luta”.

                Além do desagradável mal que a atual prática política faz ao estômago, ainda há, entre os jovens, campanha dirigida em favor do desinteresse por ela. Nossas redes sociais estão aí para confirmar isso. Como não apontam soluções, estimulam esse perigoso sentimento, que domina o único segmento social capaz de dar ao país novos tempos.

                Essa mudança da cena política a que faz menção Gabeira é indispensável. Ela tem como acontecer e, talvez, até andar mais depressa, mas não disponho nem nunca dispus de bola de cristal e, sinceramente, embora bastante vivido, pouco ou quase nada sei da vida.

                Se nós, porém, os chamados “atores esclarecidos que, na maioria das vezes, nada fizemos (nem fazemos) em favor dos nossos costumes e que temos um mínimo de condições para isso, se nós -repito- nos dispusermos a estimular a presença dos jovens na vida publica, é provável que algo de bom aconteça. Antes de tudo, é preciso levar a eles o verdadeiro sentido do bem comum, pelo qual se luta, também, através do exercício da política, que é arte nobre e que nada tem a ver com os pilantras que dela se aproveitam para roubar. Nossas redes sociais, ao invés de se dedicarem a coisas totalmente inúteis, bem que poderiam estimular os jovens a abraçar a causa pública, que é, no fundo, a sua ou, na realidade, a nossa primeira e única grande causa.

                Sem essa presença continuada dos nossos jovens na vida pública a partir da universidade (por onde andam os centros acadêmicos universitários?), e isso já aconteceu em passado recente, não haverá mudança sadia nos rumos do país. Só eles podem impedir que a política continue a ser, apenas, a briga “pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade, pela postergação dos princípios ou pelo desprezo dos sentimentos”, como assinalou Eça de Queiroz há mais de um século.

                Não é mais possível aceitar que política é só luta por cargos, poder e dinheiro, como querem os nossos partidos. Precisamos enfrentar isso. Sem a efetiva presença dos jovens na vida política do país, e sempre dentro do regime democrático, naufragaremos todos, velhos e novos. Sem ela, perderemos a linha do horizonte, que é “traço essencial do naufrágio no mar”, como disse no artigo Fernando Gabeira.

                A tarefa é árdua, mas um verdadeiro mutirão em seu favor – nos colégios, na universidade, na imprensa, nas redes sociais etc - seria um importante passo no sentido de reacender a velha esperança.

Mágico de OZ - Racionais MC's



                “Desde cedo a mãe da gente fala assim: filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor. Aí passado alguns anos eu pensei: como fazer duas vezes melhor se você está pelo menos 100 vezes atrasado? Pela escravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas e pelas psicoses. Duas vezes melhor como? Ou melhora, ou você piora de uma vez, sempre foi assim. Você vai escolher o que tiver mais perto de você, o que está na sua realidade. Você vai ser duas vezes melhor como, quem foi o pilantra que inventou isso daí?” Mano Brown, Racionais MC´s.


 


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Tempestade cerebral: cotas raciais


                Antes de qualquer coisa, deixo claro que aqui está a minha opinião sobre um assunto tão polêmico, tão importante, relacionado à construção da democracia brasileira.

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                Que a aprovação das cotas raciais é uma decisão histórica, todos nós já sabemos. Mas, a partir de agora é que veremos quais serão os reais reflexos dessa medida na vida não só dos universitários brasileiros, mas de todo o povo. Esta decisão, em minha opinião, é mais um meio criado pelo poder público, agora também sustentado pelo STF, em ludibriar a sua falta de eficiência em garantir a todos os brasileiros e brasileiras, brancos; negros; pardos; ou índios, educação de qualidade, e condições igualitárias para serem escolhidos em qualquer situação da vida por meio de seus méritos, não por sua origem.

                Criticar o governo, o sistema, realmente é fácil. Mas, devemos, também, lembrar-nos do nosso passado colonial atrasado em alguns aspectos, quando relacionados à escravidão. Os negros durante séculos, e, em vários casos, até hoje, foram excluídos da sociedade, da vida pública e da autonomia em tomar as suas próprias decisões. Processo este, embasado por uma visão arcaica que a maioria da sociedade do país tinha até então. Mas, hoje, uma medida que visa à manutenção das cotas já existentes nas universidades e, além disso, dá autonomia para as mesmas ampliá-las, joga abaixo a idéia de igualdade.


                Todos nós, brasileiros, temos uma dívida a ser paga ao povo negro; também aos índios, importunados e molestados desde o primeiro contato com o povo europeu. Mas, é necessário que essa igualdade seja conquistada através de medidas que não prejudiquem os demais, para que o Brasil não simplesmente reinvente uma nova forma de desigualdade em pleno séc. XXI.


                Para mim, outras soluções para este problema seriam mais viáveis e mais corretas. Talvez, um sistema que garanta vagas a pessoas em que seja considerada a situação sócio-econômica do candidato, não apenas racial, poderia ser mais digna e eficaz. Mesmo que dados verídicos comprovem que a maior parte da população pobre do Brasil é a população negra, este parâmetro, em hipótese alguma, pode servir como único critério para adoção das cotas. No Brasil, há também brancos que não possuem ensino superior, pobres, que não cursaram nem mesmo o ensino fundamental devido a sua situação econômica. No Brasil, país tão mestiço em sua essência, o sistema de cotas não pode ser aceito assim, de forma tão homogênea.


                Em entrevista a rádio CBN, no dia 27 de abril, o Antropólogo Roberto Da Matta, também professor da PUC-RJ, dentre seus comentários em relação à permanência do sistema de cotas raciais, cometeu um grande equívoco em uma de suas falas, em minha opinião. Para sustentar a sua tese em favor das cotas raciais, Roberto Da Matta alegou: “A pobreza é uma condição superável, você pode começar uma vida pobre e terminar uma vida milionário, mas se você for negro, ou se você for índio, ou se você for pardo, ou se você for mulher, você começa sua vida como tal, e termina como tal, a cor não muda”. Palavras estas, que o professor embasou seus argumentos de que estes seriam um empecilho para a obtenção de emprego e igualdade de oportunidades. Sim, há muitos lugares no Brasil que ainda questões como essas servem de empecilho na obtenção de oportunidades. Mas, ser negro, ser pardo, ou índio, deve ser visto como uma questão de orgulho, imutável, contemplada. Um negro, não tem que ser branco, claro, senhor Roberto Da Matta. Mas, um negro, um índio, um pardo, uma mulher, tem que ter acesso as mesmas oportunidades que um branco ou qualquer outra pessoa possua.



E você, o quê acha sobre isso?






Olá, blogueiros e frequentadores assíduos do Veraneio Vascaína!!!

                Como dito anteriormente, estou organizando melhor os meus horários, e pretendo escrever com mais freqüência no blog. Agora, crio um novo quadro. TEMPESTADE CEREBRAL. Este quadro, embora em alguns casos possa não parecer, daqui por diante visa comentar vários assuntos e reportagens polêmicas da semana com textos pequenos e rápidos. Obrigado!

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Caros leitores,


           Gostaria de agradecer a todos os internautas que prestigiam e ajudam a tornar o Veraneio Vascaíno cada vez mais popular, agora já são mais de 1.573 acessos em apenas um ano.
             Como vocês já devem ter percebido, ultimamente não tenho atualizado o blog. Agora, estou ajustando melhor os meus horários e pretendo voltar a atualizá-lo semanalmente como em 2011.
            A partir do mês que vem, aguardo vocês com mais reportagens e opiniões diretas ao assunto como de costume, Obrigado!

domingo, 18 de março de 2012

Crônica de Natal

Por Alexandre Maia


http://1.bp.blogspot.com/_VrpY0Gmx6PE/TJZ5DcRrYQI/AAAAAAAACVk/xC99roylcqo/s1600/desenho+digital+photoshop+mulher+e+sua+solid%C3%A3o.jpg


            Terça-feira, 24 de dezembro de 1999. 06h12min. Chovia muito. E mais uma vez ela retira as cobertas (cobertas?) e levanta-se. Já é tarde, é hora de levantar. Daqui a pouco os guardas, já familiarizados com ela àquela altura da vida, viriam para tirá-la dali. Afinal o dia já amanheceu e é hora de camuflar-se. Retirar-se do campo de visão das “pessoas de bem”. Dar-lhes a ilusão de que vivem em um mundo bom, tranqüilo, onde a paz e a igualdade reinam acima de qualquer mau. Além do mais, o que poderia fazer? Que forças tinha para mudar a situação em que se encontrava? Nascera daquele jeito, sem identidade, sem amparo, sem esperança, sem passado, sem futuro. Duvidava piamente de que podia mudar algo. E em parte estava certa.

            Já havia vivido 16 verões. Sim, ainda era jovem. Estava na flor da idade! Estaria, se tivesse outra vida. Afinal, quando não se tem nada na vida não existem essas bobagens de “juventude” e coisas desse tipo. Há muito se desiludira. Nunca poderia desfrutar daquelas coisas que observava à distância. Coisas como uma família ou um teto sob o qual se abrigar. Sonhos, então, não tinha nenhum. Para quê sonhar? Já era bastante complicado viver...

            Mas como dizíamos, havia vivido 16 verões. E aquele, especialmente, vinha se mostrando bastante ruim. Mal havia começado e já causara seus estragos. Havia chovido naquela primeira semana de verão mais do que ela se lembrava de ter chovido em toda a sua vida. E quando se vive nas ruas, cada relâmpago é um pesadelo, cada trovão, uma agonia sem fim. Sem contar o frio, que fazia doer os ossos e bater o queixo. Não, ela não gostava de finais de ano. Não tinham nada de especial.

            Estava com fome. Era cedo. Aliás, mesmo se não fosse cedo, estaria com fome. É a sina de quem não possui para si nem a capacidade de se sustentar. Dependia da bondade (piedade, talvez soe melhor) alheia e nem sempre se saía bem. Dirigiu-se então à padaria mais próxima: a do Seu Francisco. Seu Francisco, esse sim era um homem bom, pensava ela. Alma generosa, sempre que via a menina corria logo para oferecer-lhe algo. Sempre a convidava para entrar e se sentar. A menina não estava acostumada com tal trato e por isso evitava ir ali sempre que podia. Parecia-lhe injusto que ela tivesse regalias que outros de seus companheiros de rua não tinham. Não que fosse ingrata aos tratos de Seu Francisco, mas ali não parecia seu mundo. Era confortável demais, quentinho demais. Soava estranho, como uma nota fora do tom.

            Mas aquela não era hora para isso. A barriga doía, e nesses casos é necessário deixarmos de lado as convenções. Então ela foi. E comeu. Até se fartar. Raridade, sabia ela. Não “poderia” voltar à padaria nas próximas semanas, senão sua consciência não a deixaria em paz. E consciência tranquila era o mínimo que ela poderia desejar...

            Ao sair da padaria ela perambulou pela cidade, como gostava de fazer. Está aí uma coisa que não poderiam tirar dela nunca: a cidade era sua! Poderia apostar que ninguém naquele lugar conhecia aquelas ruas como ela. Cada esquina, cada praça, cada colégio. Sim, colégios. Ela gostava deles. Lembrava-lhe a vida que nunca poderia ter, mas da qual, paradoxalmente, sentia saudades. Isso era possível? Não sabia. Mas sabia que gostava de ficar ali, sentada em frente a qualquer colégio, observando as crianças – das mais velhas às mais novinhas – entrarem por aqueles portões para viverem mais um dia de aventuras escolares. Ah, como ela daria tudo pra poder passar um dia ali dentro, e descobrir a sensação de aprender! A sensação de participar, de se sentir incluída. Mas sabia que nada disso era possível, então logo saiu dali. Poderia atrair olhares para si se ficasse ali por muito tempo, e isto era desagradável. O anonimato, várias vezes, era uma benção, pensava.

            A tarde era a parte do dia que mais gostava. Principalmente as ensolaradas. Correr atrás das pombas era uma de suas atividades favoritas. Dava uma sensação tão boa de liberdade...

            Havia também, naquela cidade, um lugar que ela considerava especial, como se fosse seu esconderijo, seu lugar secreto. Gostava de ir pra lá quando se sentia sozinha demais ou o contrário, quando estava feliz. E dessa vez se dirigiu para lá, temo que pelo primeiro motivo. Tal lugar era uma praça situada no bairro mais alto. As casas ali não eram nem tão ricas nem tão pobres, possuíam uma beleza simples, singular. De lá de cima era possível avistar toda a cidade, de uma ponta a outra. Pelo fato de ser um bairro simples e sem muitos atrativos não era todas as pessoas da cidade que o conheciam, o que dava um toque particular ao seu esconderijo. A praça em si era pequena, com não mais do que algumas árvores cercadas por alguns brinquedos de escorregar e alguns bancos. O lugar perfeito para sentar-se e deixar a vida passar devagar, sem a habitual correria que emanava da cidade logo embaixo. Naquela época do ano, em especial, as luzes de natal que enfeitavam a cidade, somada à luz dos postes e algumas residências formavam uma bela constelação, como se a cidade fosse um grande lago que refletisse o céu estrelado, algo lindo de se admirar. Sentia dentro de si que, se algum dia na sua vida havia sido feliz, vivera esse dia ali, naquela praça, sozinha, só com o sol por companhia.

            Esse dia, em especial, sentia-se triste. Não que fosse uma menina assim, apesar de que sua condição pudesse justificar tal sentimento. Mas não, na maioria do tempo era uma menina alegre, tranquila, agradecida ao (muito) pouco que possuía. Mas aquele dia não. Aquele dia estava cabisbaixa. Sentia-se deprimida com a crescente onda de esperança que irradiava de todos. Seria de se esperar, afinal, era fim de ano, e todo fim de ano é dotado de uma esperança meio sem sentido que todos compartilham, de que, no ano seguinte, todos serão melhores. Esse ano, porém, tinha algo mais. Como dito, estávamos no ano de 1999, ou seja, era a virada do século! Ou melhor, do milênio! Motivo suficiente para que a onda de esperança que parecia vir de todos os cantos a deixasse triste. Chegava a beirar a raiva.

            Não entendia como isso funcionava. Como todos conseguiam fingir que estava tudo bem? Como podiam ignorar a miséria que eram suas próprias vidas? Como podiam ignorar a desgraça que era a existência de pessoas como ela própria? Não dava, não conseguia engolir! O que diferenciava o primeiro dia de janeiro do último de dezembro? Pensava ela. Nada! Absolutamente nada! Não importava se mudava o ano, o século, o milênio ou o que fosse, no dia seguinte todos continuariam os mesmos! Sempre iguais ao que sempre serão...

            Mas como sabemos, não era noite de ano novo, ainda era natal. Ela então encostou a cabeça em uma árvore e ficou ali, parada. Sem pensar em nada, apenas deixando a noite chegar, levando consigo a raiva que ela nutria. E assim as luzes da cidade começavam a se acender. Uma após outra, bem embaixo dela. Eram as estrelas aparecendo! Ao menos era um espetáculo bonito de se admirar, pensava.

            E se sentiu privilegiada. Por estar ali. Por poder, de alguma forma, participar daquilo. Mesmo que fosse do lado de fora. Como estaria o mundo dali a uns dez, doze, quinze anos? Pensou. Talvez seja um lugar melhor para se viver. Talvez haja uma casa para cada criança, uma família para cada um... Como será que ela estaria? Crescida, certamente, mas e aí? E o Seu Francisco? Ele já era velhinho, será que continuaria saudável? Desejava que sim. E seus companheiros de rua, sobreviveriam? Melhorariam de vida, continuariam na mesma? Eram perguntas sem respostas, sabia ela, que só o tempo poderia esclarecer...

            Foi então que um sentimento diferente invadiu seu coração. E então ela começou a sentir pena das pessoas com as quais se irara momentos atrás. Afinal, elas pareciam levar uma vida tão vazia, tão desprovida de sentido. Podiam estar reunidas em torno de uma (várias) mesa, dividindo a mesma comida, mas, muitas vezes, sentiam-se só. Eram pessoas ocas...

            Pouco a pouco, então, ela foi se entregando a esse sentimento de piedade que agora a consumia, e ia, mesmo contra a sua vontade, unindo-se àquela atmosfera de esperança que tanto repudiava. Afinal, era fim de ano, fim de milênio, quem sabe o ano que estava nascendo não seria melhor? Quem sabe ela não acharia uma família? Quem sabe... Quem sabe...

            Dali a alguns minutos Jesus nasceria novamente, e, junto com ele, talvez viesse um mundo melhor.

            Foi assim que ela recostou-se, ali mesmo, naquela praça. Nessa noite a chuva dera uma trégua e a menina pôde desfrutar de uma noite tranquila, quase feliz, embaixo daquela árvore. Acordaria logo cedo na manhã seguinte, como estava habituada e, quem sabe, o mundo não estaria melhor? Quem sabe ela não acordaria em um quarto quentinho, com vários cobertores, cheio de móveis e brinquedos?

            E assim ela dormiu. E sonhou com o mundo que nunca teria a oportunidade de conhecer. Mas que provara um dia, sob a copa de uma árvore, acima de uma linda cidade iluminada.

sábado, 17 de março de 2012

Vergonha

               É... pelo visto a situação continua a mesma. Além da falta de segurança e de respeito para com as pessoas que utilizam o transporte público metropolitano agora mais essa. Motorista do lotação 3832, para o veículo na rua mais movimentada da cidade para tomar café. Isso é uma V-E-R-G-O-N-H-A.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Transporte coletivo: você pode mudar esta realidade

http://expressominas.blogspot.com/2010/01/turilesa-nova-lima-x-belo-horinte-3832_4303.html


                Há vários anos o crescimento da capital mineira, Belo Horizonte, vem sendo acompanhado, a passos largos, com o crescimento em conjunto das cidades mineiras integradas à região metropolitana da cidade. Cidades em torno da capital representam importante papel no crescimento de Belo Horizonte, pois disponibilizam mão de obra de qualidade e prestação de serviços a BH. Várias dessas cidades, como Nova Lima, por exemplo, vêm se tornando, cada vez mais, cidades consideradas “dormitórias”, pois além de disponibilizarem vários trabalhadores naturais da cidade para a capital, essas cidades vêm se tornando um grande atrativo a pessoas que procuram qualidade de vida e mais calma próximo ao seu trabalho, mesmo que, para isso, tenham que morar em outra cidade. Por ainda ser considerada cidade com boa qualidade de vida, Nova Lima, vem abrigando funcionários e moradores de BH em grande quantidade, que todos os dias, vão a capital prestar serviços e, ao final do dia, voltam para suas casas, o que tem culminado cada vez mais com o inchaço urbano da cidade, e principalmente dos transportes coletivos.


                Dentre a boa comunicação e auxílio aparentemente existente entre as prefeituras da região metropolitana, porém, há grandes ressalvas. Uma delas vem se tornando um problema crônico; em relação ao descaso por parte das prefeituras em não tratar o cidadão de maneira digna e respeitável, quando o assunto é transporte coletivo. Infelizmente, a capital mineira, sem dúvida alguma, parece ter parado no tempo em relação às políticas de infraestruturas. O crescente aumento no número de passageiros, não vem sendo acompanhando por investimentos devidos para a ampliação do setor. 


                Por alguns meses, acreditei que o Brasil ganhando o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014, fosse realmente melhorar e aumentar os investimentos no setor logístico, principalmente nas regiões que serão sede dos jogos. Por isso, já que BH por ser uma das sedes e, por sinal, uma das mais importantes, devido a sua contribuição a economia brasileira, acreditei que uma das maiores exigências da FIFA, organizadora do evento, seria atendida; melhoria na hospitalidade e facilidade de deslocamento entre as sedes e cidades do mundial. Mas, essa medida, claramente, ainda está longe de sair do papel.


                Agora, partindo-se de um caso particular para servir de análise e para comprovação da calamidade nos transportes públicos coletivos entre as cidades da região metropolitana de BH, utilizaremos de exemplo, o caso do transporte da linha 3832, Nova Lima-Belo Horizonte. 
http://expressominas.blogspot.com/2010/01/turilesa-nova-lima-x-belo-horinte-3832_4303.html


                O ônibus em todas as suas viagens durante o dia, não somente apresenta falta de comodidade adequada a seus usuários diários, mas também, apresenta total falta de segurança e respeito a quem, por falta de recursos e opções, é obrigado a utilizá-lo para chegar ao trabalho ou a escola todos os dias.
Lotação 25243, Nova Lima-Belo Horizonte, às 6h40min


                Os limites de passageiros são constantemente desrespeitados. Há casos em que a quantidade de passageiros em pé chega a 42 pessoas. Tomando esses dados como base, ao analisar o transporte coletivo, sempre me vem a mesma pergunta a cabeça. Por que carros particulares, com 4 ou 5 passageiros, são obrigados , por lei, a utilizar cinto de segurança enquanto ônibus que conseguem concessão com a PREFEITURA, não disponibilizam a seus usuários, nem mesmo aos que estão assentados, nenhum tipo de segurança, e, mesmo assim, não têm que pagar multas nem dar explicações ao povo? Por que as empresas de ônibus podem se julgar acima da lei, acima da regra que todos nós, cidadãos, devemos respeitar?


                Como se já não bastassem trabalhadores e estudantes lidarem com veículos lotados e sem o mínimo de segurança todos os dias, o preço das passagens dos transportes coletivos é um absurdo. Uma pessoa que utiliza o serviço de transporte, diariamente, gasta aproximadamente R$150,00 por mês só de passagens, preço que, em hipótese alguma, condiz com a qualidade e segurança oferecida pelo serviço.
Lotação 25244, Nova Lima-Belo Horizonte, 12h40min

                Vereadores da cidade de Nova Lima, com reportagem coberta pelo jornal A Banqueta, recentemente utilizaram algumas dos lotações que fazem transporte coletivo metropolitano para poderem sentir aquilo que várias pessoas sentem todos os dias ao entrar nesses lotações: humilhação e insegurança. Mas, aparentemente, essa ação de caráter completamente populista, pouco surtiu efeito.  Até hoje, nenhuma medida foi tomada. A segurança é cada vez pior, e um acidente, embora ainda não tenha sido registrado, parece ser mera questão de tempo e um mal previsto.

                Apesar de toda essa falta de interesse dos políticos, principalmente os de Nova Lima em solucionar esse problema, que é obrigação deles, pois são pagos por nós para resolver problemas como esse, não me preocupo, resta uma esperança; aguardo ansiosamente a minha vez de tê-los em minhas mãos e nas mãos do povo.


                 Diante dessa realidade, espero futuramente encontrar alguns desses mesmos vereadores e candidatos a prefeito de Nova Lima que tanto pediram o meu voto de confiança e de toda a população há quatro anos atrás para nos representar dentro da câmara municipal da cidade. Espero com muita ansiedade e creio que todas as pessoas, que não só utilizam, por falta de opção, o degradado transporte público da cidade, mas que também, utilizam outros serviços públicos mesquinhos oferecidos pela prefeitura, lembrem-se de cada um desses incompetentes e usurpadores do dinheiro público, na hora de utilizar a nossa maior arma em Outubro de 2012: O VOTO. 


                Ano de eleições. Somente quando votarmos corretamente e, lutarmos dignamente por aquilo que é nosso por direito, é que a situação estará ao lado de onde nunca deveria ter se desviado: ao lado do povo, e para o povo. Os transportes públicos da região metropolitana são uma calamidade e, isso, tem que mudar já. Esse sistema capitalista que poupa dinheiro e não se interessa pela segurança do povo é uma vergonha.

http://www.idadecerta.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/votar.jpg